1º Seminário Institucional do CEEd/RS reúne especialistas e destaca desafios contemporâneos da educação
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O Conselho Estadual de Educação do Rio Grande do Sul (CEEd/RS) realizou, nos dias 27 e 28 de agosto, o 1º Seminário Institucional “Desafios Contemporâneos na Educação”, reunindo gestores, conselheiros, professores, pesquisadores, estudantes, equipes técnicas e representantes de instituições educacionais para dois dias de debates, reflexões e construção coletiva sobre os caminhos da educação no Estado.
Realizado no Auditório da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), em Porto Alegre, o seminário promoveu discussões sobre regulação educacional, equidade, inclusão, aprendizagem, avaliação, crises socioambientais, formação dos profissionais da educação e garantia do direito à educação.
A programação reuniu importantes nomes da educação brasileira e gaúcha e teve como uma das principais referências a presidente do CEEd/RS, Profª Dra. Fátima Anise Rodrigues Ehlert, que participou da abertura, mediou momentos importantes da programação e conduziu a sistematização e o encerramento institucional do evento.
Diálogo, regulação e os desafios da educação
O primeiro dia teve como destaque a conferência de abertura “Desafios Contemporâneos na Educação: regulação, equidade e direito à educação”, com a participação do Prof. Dr. Cesar Callegari, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), e da Profª Dra. Raquel Teixeira, secretária de Estado da Educação do Rio Grande do Sul (SEDUC/RS).
A atividade foi mediada pela presidente do CEEd/RS, Fátima Ehlert, que destacou o papel do Conselho na construção de espaços de diálogo e reflexão.
“O Conselho de Educação é um espaço de debate e diálogo.”
Ao longo do seminário, Fátima também reforçou a dimensão transformadora da educação:
“A educação transforma vidas.”
Em sua participação, Cesar Callegari destacou a necessidade de colocar as pessoas no centro das transformações provocadas pelas novas tecnologias na educação:
> “A diretriz reafirma a prevalência do humano sobre as novas tecnologias.”
A fala fez referência à aprovação das diretrizes nacionais sobre o uso das novas tecnologias na Educação Básica.
Já Raquel Teixeira trouxe reflexões sobre liderança, transformação e os impactos das mudanças tecnológicas e sociais na educação. Entre as frases de destaque de sua participação estiveram:
“A única coisa permanente é a mudança.”
E, ao abordar a dimensão das transformações provocadas pela tecnologia, afirmou:
“Não houve mudança tecnológica. Houve mutação civilizacional.”
A secretária também ressaltou que a educação não pode ser compreendida apenas como preparação para o futuro:
“A educação não é a preparação para a vida, é a própria vida.”
Ao comentar a atuação da presidente Fátima Ehlert à frente do CEEd/RS, Raquel destacou:
“Liderar é fazer as pessoas darem o melhor de si.”
Universidade, território e equidade
Durante a tarde do primeiro dia, a Profª Dra. Percila Silveira de Almeida, pró-reitora de Ensino da UERGS, apresentou a palestra “O papel da Universidade Estadual para a consolidação da equidade nos Territórios do RS”.
Em sua fala, Percila ressaltou a importância da universidade estar conectada aos territórios e às pessoas:
“Democratizar é mais do que abrir a porta.”
A professora também destacou a relação entre conhecimento, território e formação profissional:
“O conhecimento com o território, não apenas sobre.”
E sintetizou o papel da universidade para além de seus espaços físicos:
“A universidade não termina no campus.”
Na sequência, a Mesa de Diálogo Institucional “Entre normas e realidades: como a regulação educacional responde aos desafios contemporâneos” reuniu o Prof. Me. Felipe Michel Braga, presidente do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais e Distrital de Educação (FONCEDE); a Profª Ma. Fabiane Bitello, vice-presidente executiva da União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (UNCME); e a presidente do CEEd/RS, Fátima Ehlert.
Felipe Michel Braga trouxe para o debate a necessidade de pensar a educação diante das emergências climáticas:
“Como superar as emergências climáticas.”
Também reforçou que qualquer discussão sobre políticas educacionais precisa considerar os sujeitos que estão diariamente na escola:
“Na sala de aula, quem entra são o estudante e o professor.”
Fabiane Bitello destacou a dimensão territorial dos Conselhos e das instituições educacionais:
“O Conselho tem um papel territorial, mas também um propósito.”
E reforçou a relação entre escola e comunidade:
“A escola faz parte de um território.”
Fátima Ehlert, por sua vez, ressaltou o papel articulador do Conselho Estadual de Educação:
“O Conselho tem um papel articulador.”
O primeiro dia também marcou o lançamento da publicação especial da Revista Entre Normas e Práticas, do CEEd/RS, com a apresentação de artigos das diferentes seções da publicação.
Acesso, permanência e aprendizagem
No segundo dia, o seminário ampliou as discussões sobre desigualdade educacional com a mesa “Acesso, permanência e aprendizagem: onde a desigualdade educacional se instala?”.
Participaram o Prof. Dr. Bruno Ferreira, professor da UFRGS, especialista em Educação Indígena e conselheiro do CEEd/RS; a Profª Dra. Gládis Elise Pereira da Silva Kaercher, professora da UFRGS, especialista em Educação para as Relações Étnico-Raciais e conselheira do CEEd/RS; e a Profª Dra. Karla Fernanda Wunder da Silva, professora da PUCRS, especialista em Educação Especial e conselheira do CEEd/RS.
Bruno Ferreira trouxe uma reflexão sobre a relação entre passado, presente, humanidade e natureza:
“O presente é explicado pela ação que aconteceu no passado.”
A reflexão também abordou as relações entre seres humanos, animais e natureza e a importância de preservar vínculos necessários para uma vida em equilíbrio.
Gládis Kaercher aprofundou a discussão sobre acesso, permanência e direito à educação:
“Acesso é a porta. O direito à educação se realiza na trajetória.”
A professora também chamou atenção para o fato de que estar matriculado não significa, necessariamente, ter garantido o direito à educação:
“Permanecer não é apenas continuar matriculado. A permanência precisa ser analisada pela qualidade da trajetória escolar.”
E provocou uma reflexão sobre os indicadores educacionais:
“A média pode melhorar. A desigualdade pode permanecer.”
Karla Wunder trouxe ao debate a perspectiva da Educação Especial e questionou os limites de uma compreensão meramente formal da inclusão:
“Se o estudante está matriculado, ele está incluído?”
E complementou:
“Permanecer não é apenas ficar.”
As reflexões reforçaram a necessidade de compreender a educação como uma trajetória que envolve acesso, permanência, participação, aprendizagem e inclusão efetiva.
Crises socioambientais, território e proteção da aprendizagem
Outro destaque da programação foi a palestra do Prof. Esp. Willian Fernando de Oliveira, cofundador da Pedagogia de Emergência, sobre “Crises socioambientais, território e proteção da aprendizagem”.
Ao abordar os impactos do trauma e das situações de emergência, Willian destacou:
“Sobrecarga de estresse... o corpo não volta completamente ao equilíbrio e deixa marcas que perduram no tempo.”
O palestrante também ressaltou a importância da construção de relações de confiança:
“Criar um vínculo seguro.”
Ao final, deixou uma mensagem de mobilização coletiva:
“Vamos juntos promover o Bem Viver.”
A escola diante das emergências
A Profª Ma. Carolina de Oliveira Campos, fundadora e diretora-executiva do Vozes da Educação, participou da programação com a temática “Aprendizagem, avaliação e sentidos da experiência educativa”.
Entre as reflexões apresentadas, destacou-se a pergunta:
> “Como a educação é impactada nas emergências?”
Carolina também chamou atenção para a importância da escola na organização social das comunidades:
> “A escola é a grande orientadora da rotina de uma comunidade.”
E destacou que os processos de crise precisam ser compreendidos em diferentes momentos:
“ Toda crise tem um antes, um durante e um depois.”
Aprendizagem e experiência educativa
Na tarde do segundo dia, a Profª Esp. Marcia Adriana de Carvalho, 2ª Vice-Presidente do CEEd/RS, participou das discussões sobre aprendizagem, avaliação e os sentidos da experiência educativa.
Entre suas reflexões, destacou:
“A simples transmissão passiva de conteúdos não garante a aprendizagem real.”
Marcia também ressaltou que a aprendizagem está diretamente relacionada às experiências vividas pelos estudantes:
“Os sentidos atribuídos à aprendizagem nascem diretamente das vivências concretas dos sujeitos.”
Que educação o presente exige do Rio Grande do Sul?
Encerrando os dois dias de programação, o Prof. Dr. Sergio Roberto Kieling Franco, professor da UFRGS e conselheiro do CEEd/RS, conduziu a conferência “Que educação o presente exige do Rio Grande do Sul?”.
Entre as reflexões apresentadas, destacou-se:
“Educar é preparar para o futuro.”
A conferência encerrou uma programação marcada pela discussão sobre o presente da educação e pela necessidade de construir respostas para os desafios que já fazem parte da realidade das escolas, dos estudantes e dos profissionais da educação.
A atividade foi mediada pela presidente do CEEd/RS, Fátima Ehlert. Na sequência, foi realizada a sistematização do seminário, reunindo os principais debates, reflexões e proposições construídos ao longo dos dois dias. O encerramento institucional contou ainda com uma apresentação artístico-cultural.
Um seminário marcado pelo diálogo e pela construção coletiva
Com carga horária de 20 horas e certificação, o 1º Seminário Institucional “Desafios Contemporâneos na Educação” consolidou-se como um espaço de interlocução entre diferentes setores da educação.
As falas dos palestrantes demonstraram a diversidade de perspectivas necessárias para compreender os desafios educacionais contemporâneos. Regulação, tecnologia, equidade, território, inclusão, relações étnico-raciais, Educação Especial, emergências climáticas, trauma, aprendizagem e avaliação estiveram entre os temas que atravessaram os dois dias de programação.
A presença de César Callegari e Raquel Teixeira na abertura, ao lado da presidente Fátima Ehlert, conferiu ao seminário uma forte dimensão institucional. Ao longo da programação, os demais palestrantes ampliaram o debate a partir de diferentes experiências acadêmicas, profissionais e territoriais.
Mais do que discutir os desafios da educação, o seminário reafirmou a importância do diálogo entre instituições e da construção coletiva de caminhos para garantir o direito à educação.
Ao final dos dois dias, ficou o compromisso de transformar as reflexões compartilhadas em proposições e ações que contribuam para o fortalecimento da educação pública e para a construção de uma educação mais justa, inclusiva e conectada às necessidades do Rio Grande do Sul.